O Calendário Pirelli 2013 é apresentado hoje no Rio de Janeiro, no Píer Mauá, dentro dos galpões no porto velho da Cidade Maravilhosa.

O criador da 40ª edição do “The Cal™” é Steve McCurry, um dos fotógrafos mais renomados do mundo, que registra a recente transformação socioeconômica brasileira. Sua obra celebra a beleza e as cores que representam a alma desse mágico país sul-americano, que ocupa posição de destaque pela terceira vez no Calendário Pirelli, acompanhando a edição de 2005 de Patrick Demarchelier e a edição de Terry Richardson, em 2010.

Nas duas semanas que levou para fotografar o Calendário pelas ruas e favelas do Rio, McCurry empreendeu uma de suas fascinantes jornadas de descoberta, capturando histórias, experiências e características das pessoas em seu território. O Calendário Pirelli 2013 conta essas histórias por intermédio dos rostos pintados em muros e paredes e por meio das pessoas comuns, bem como das modelos deste ano, cujo ponto de convergência é um forte compromisso com fundações, projetos humanitários e ONGs.

“Tentei retratar o Brasil, sua paisagem, sua economia e cultura, junto com o elemento humano”, disse McCurry. “Essa era a história que eu queria contar por meio de minhas lentes. Para mim, a fotografia é um importante meio de expressão para narrar histórias grandiosas e pequenas da vida cotidiana.” Seu pano de fundo, o Rio de Janeiro, é fervilhante de vida, com seus bairros históricos, como a Lapa e Santa Teresa, suas favelas, seus bares e clubes noturnos, suas feiras, escolas de samba e academias de ginástica, seus colégios e terminais de ônibus. A cidade surge diante de nós em sua plena autenticidade, muito longe dos estereótipos a que estamos acostumados. “Eu passeei bastante pelas ruas, procurando todos esses momentos da vida cotidiana e tirando uma infinidade de fotos”, disse McCurry. “Procuro sempre aquele momento entre duas coisas, em que existe uma sensação de tensão no retrato.”

McCurry, munido de muitos anos de experiência como viajante e guiado por uma curiosidade nata, entrou no espírito do Rio e se abriu para seu povo, capturando rostos e modos de ser. O Calendário alterna retratos de modelos e atrizes com fotos de pessoas comuns: um jovem boxeador treinando, uma vendedora de frutas na feira, passistas de escola de samba, capoeiristas praticando sua arte, uma mulher correndo para manter a forma, uma professora de arte, uma turista num museu, uma secretária olhando pela janela, um casal de namorados passeando ao pôr do sol. Essas cenas da vida comum, ou não tão comum assim, narram o desenvolvimento de um País que está mudando sem perder sua verdadeira natureza e as características que o tornam único.

“Eu diria que sou um fotógrafo de rua fazendo ‘situações achadas’. Você pode fazer um nu em qualquer lugar. Mas essas modelos estão vestidas, e cada uma delas tem seu próprio trabalho humanitário. Elas são determinadas e idealistas. Então, eu queria mostrá-las em um lugar especial. Por isso, o Rio foi perfeito”, acrescenta McCurry.

Há 34 fotos coloridas no Calendário Pirelli 2013, encadernadas como um livro-calendário: 23 retratos de atrizes e modelos, nove imagens retratando pequenos instantes e detalhes da vida cotidiana e duas fotos compostas inteiramente de pinturas urbanas. Estas são uma evocação da expressão artística popular que atraiu a atenção de McCurry por sua capacidade de refletir os aspectos sociais que ele buscou interpretar, e assim tornaram-se o cenário de muitas fotos.

O Calendário apresenta onze modelos, atrizes e cantoras: as brasileiras Isabeli Fontana (que figurou no Calendário Pirelli 2003, feito por Bruce Weber; na edição de 2005, clicada por Patrick Demarchelier; em 2009, por Peter Beard; em 2011, por Karl Lagerfeld; e na edição de Mario Sorrenti, em 2012) e Adriana Lima (também presente na edição de 2005, de Patrick Demarchelier), a atriz Sonia Braga e a cantora Marisa Monte; a atriz ítalo-egípcia Elisa Sednaoui, a modelo tcheca Petra Nemcova, a modelo tunisiana Hanaa Ben Abdesslem, a modelo etíope Liya Kebede e as modelos americanas Karlie Kloss, Kyleigh Kuhn e Summer Rayne Oakes.

SOBRE O CALENDÁRIO PIRELLI 2013

Introdução

Ser escolhido para fazer as fotos do Calendário Pirelli 2013 foi uma grande honra, a beleza do Rio serviu como o pano de fundo perfeito. Conhecido por seu espírito, energia e transformação socioeconômica notável, o Brasil é um país que assumiu seu lugar entre os países mais vibrantes e de mais rápido crescimento do mundo. A paisagem diversificada de mar, montanhas e Mata Atlântica do Rio de Janeiro, combinada a sua cultura urbana dinâmica, ofereceu uma locação maravilhosa para fotografar as pessoas cujos rostos você verá nessas páginas.

O povo do Rio é tão incrível quanto suas paisagens espetaculares; sua hospitalidade, simpatia e generosidade foram uma inspiração para mim.

Eu queria fotografar uma mistura da gente comum do dia a dia combinada a um grupo muito especial de mulheres conhecidas não só por seu talento e beleza, mas também por seu trabalho humanitário e contribuições para suas comunidades.

Também apreciei fotografar a arte urbana pelo mundo todo, e o espírito do Rio ganhou vida com as imagens e palavras nos muros e paredes. Essa arte mural, popularmente conhecida como grafite e pichação, é uma tradição muito antiga, que remonta ao passado milenar.

A coleção neste calendário é meu tributo pessoal às pessoas que vivem numa das cidades mais empolgantes que já tive o privilégio de fotografar.

Steve McCurry

O CALENDÁRIO PIRELLI 2013

Por Paul Theroux

A magia visual suprema não é algo do outro mundo, um feitiço sobrenatural, mas antes um modo de iluminar o cotidiano, quando coisas familiares assumem aspecto prodigioso. As ruas, os muros da cidade, o céu, num surpreendente deslocamento, começam a assumir a irracionalidade de um sonho. Como você reconhece determinados objetos — o cachorro, a cadeira, a janela —, os demais elementos tornam-se mais surpreendentes: de onde vem essa luz intensa, o que essa mulher está fazendo na porta? Hipnotizante e sugestiva, transbordando de cores, a visão ganha força mediante a presença visível de uma figura poderosa — no caso destas fotos, a beleza feminina, a imagem catalisadora da mulher como uma sacerdotisa tropical.

Nessa epifania de surpresas e deleites, tal beleza sempre acena para nós, nos chamando. É impossível olhar para as fotografias que Steve McCurry fez do Rio e sua gente e não desejar estar ali. A magia do Rio, uma cidade de grandes contrastes, é algo palpável, uma luminosidade fascinante rara na maioria das cidades. Mas no Rio isso é parte de sua identidade, de sua vida diária, algo alegre, mas também, às vezes, evocando uma espécie de melancolia. A cor intensa pode inspirar júbilo, terror ou desejo, até mesmo compaixão, ou um sentimento quase sagrado.

O Rio retratado aqui sugere a história do Brasil, um País transformado — colonizado, saqueado e repovoado até explodir em toda sua intensidade europeia e africana, bem como em seus emplumados gritos indígenas. As fotos mostram uma cultura nativa típica de impulsos e improvisos — um sincretismo, diria o antropólogo, uma fusão de culturas, um povo tomando posse de diferentes rituais e crenças e tornando-os seus. Isso também é mágico. A música, a dança e até os grafites contribuem para a transformação; o toque humano nas paredes pintadas, o jeito casual de se vestir, a afirmação que os cariocas fazem de suas próprias vidas e suas comunidades, transformando seus muros em murais, e até mesmo seus corpos em objetos de arte, com seus músculos esculpidos e suas danças.

A capoeira — aqui mostrada em todo seu vigor acrobático — é algo distintamente brasileiro e tem séculos de idade, uma combinação entre música e movimento que é tanto estética quanto uma modalidade de combate, como magia em ação: uma arte marcial, às vezes empregando improvisação e malandragem. E o grafite não é (como em algumas cidades) vandalismo, mas uma valorização, um mural ou a pintura numa parede, uma rua, uma porta, uma fachada de casa.

Essas imagens mostram um mundo recém-imaginado, simbolizado nas fotos aéreas do Rio, parecendo a face de nosso planeta em criação, o oceano como um espelho de luz rosada além das montanhas distantes, revelando uma cidade em nascimento, as luzes cintilantes do litoral, as montanhas refletindo nos edifícios elevados, uma cidade onde as pessoas parecem mais felizes ao ar livre, nas ruas, nas sacadas e feiras, nas lajes.

Estas são imagens de abundância — uma fartura de tudo, comida, frutas, cores, música; uma abundância de luz, também, mas às vezes uma luz imprevisível e reveladora. A jovem na banca da feira, segurando ansiosamente a cabeça, atrás de uma pilha impressionante de pimentas multicoloridas. Uma garota sozinha, mas como tantas outras pessoas na cidade, especialmente a mulher solitária que caminha pelos Arcos da Lapa, com um ar sugestivo e provocador de “siga-me”. Ela é uma sombra reveladora; há tanta vida nessas sombras quanto na luz nua.

E cada imagem nesta sequência ganha vida com um detalhe revelador, seja um gato sorrateiro, um cão esquelético, uma sombra; o olhar ansioso, ou um gesto meio desajeitado, tão humano, algo facilmente reconhecível e com o qual todos podemos nos identificar. A fisicalidade permeia as imagens; o elemento humano é poderoso. Estas são pessoas de carne e osso — gente real num lugar real, exsudando alegria e confiança. Na mais singela de todas, a gravidez de uma mulher é revelada numa foto sóbria e serena. Quanto à mais complexa, observe-se a modelo na porta, a bandeira do Brasil pintada na parede, a mulher na janela olhando para o lado, o grafite parcial de uma criança entristecida, uma árvore real, a rua úmida.

ENTREVISTA COM STEVE MCCURRY

Por Paul Theroux

Paul Theroux: Qual foi sua impressão do Rio — as coisas de que gostou, as coisas que quis enfatizar?

Steve McCurry: Estive no Rio duas vezes antes, durante o Carnaval — foi divertido, muita dança, tudo muito sensual, e quente. Em outra ocasião, estive naquele morro com vista para a cidade que você vê no calendário e só por acaso voltei a encontrar, com a capoeira. Da primeira vez que estive no Rio, pareceu-me algo mítico, com as montanhas, as praias e a luz incrível. É uma das paisagens urbanas mais magníficas do mundo. Nada se compara ao Rio, nem chega perto.

Há um bairro em particular, a Lapa, um lugar incrível, com gente circulando a noite toda, um monte de hoteizinhos baratos, grafites e pichações, e é próximo ao bairro de Santa Teresa, com as antigas linhas de trem. Isso me interessou mais do que as praias e Copacabana, achei os bairros menores mais interessantes, visualmente.

Visualmente interessantes em que sentido?

A qualidade da luz, a melancolia, o mistério — isso tudo era mais acentuado à noite. Sempre gravitei em torno da escuridão, situações de iluminação melancólica. É raro eu fotografar com luz muito forte ou durante o dia. Gosto das situações escuras, silenciosas, em que você vê um contraste sutil na paleta de cores, e em que a luz se origina das lojas, casas e postes.

Não foi estranho para você trabalhar com modelos?

Algumas mulheres eram modelos, mas trata-se do trabalho humanitário delas, eu não estava fotografando nus. Não tem a ver com os corpos delas. Ou sua sexualidade. Você pode fazer uma foto sensual em qualquer lugar, até no saguão de um hotel. Para o que eu estava tentando fazer, precisava de fato de um cenário, de um fundo, de uma atmosfera. Eu estava criando uma cena — um primeiro plano, um pano de fundo, uma sensação de lugar. O que há no Rio que faz a cidade ser o que é? Os grafites, os botecos, as bodegas, a luz incrível, o formato do aqueduto na Lapa, o bairro em si, a garota sexy andando sob os arcos. Há muita vida na rua, os bares se esparramam pelas calçadas. Adorei isso.

E também a hora do dia?

Claro. Pegue a foto da modelo sentada na porta, com o grafite da bandeira brasileira, e a mulher na janela. É uma cena completa. Quando vi a bandeira pensei que seria legal brincar com as cores nacionais — o verde e o amarelo, as cores dominantes, aquele esquema de cores vem à tona. Estava chovendo pesado a noite toda, e isso deu um brilho maravilhoso à rua. Comecei lá pelas oito da noite e fotografei por cerca de quatro horas, porque a gente precisava de lonas para a chuva. Eu tive a modelo à disposição o dia todo, mas queria fotografar à noite, não tanto durante o dia. Ela é uma top model, mas está ali sentada naquela porta estreita, com as famílias e as crianças por perto, vestindo capas de chuva molhadas, e ela provavelmente está pensando, “Onde é que fui me meter?” Como eu estava fotografando do outro lado da rua, a mais ou menos quinze metros de distância, ela não podia me ver. Eu estava com uma lona me cobrindo, e tinha um monte de gente passando pela rua. Amei aquilo, principalmente a mulher na janela.

Qual a diferença de fotografar gente que na verdade está posando para você?

Eu tinha a esperança e a expectativa de fotografar essas modelos como gente de verdade. Elas são modelos profissionais, elas posam, não é algo que consigam evitar. Começam a fazer aqueles movimentos estudados. Em moda, precisam mostrar as roupas da melhor forma possível, então o que elas estão fazendo é assumir um look particular, as mãos atrás da cabeça, tudo para dramatizar as roupas. Mas eu estava tentando fotografá-las como gente de verdade, sem todo esse oba-oba. Isso era uma coisa que eu pensava. Mas por outro lado, é isso que elas fazem — elas são artistas. Pensei: melhor deixar que façam desse jeito, elas são lindas, divertidas, sabem passar uma imagem, grande parte do meu trabalho foi fotografá-las fazendo o que elas fazem de melhor, mas tentando diminuir um pouco o tom — os gestos, a teatralidade, as poses — para tornar tudo mais real.

Como fotógrafo de rua — fotografando gente de quem você quer extrair um leque de emoções.

É assim que você se descreve: um fotógrafo de rua?

Isso, eu diria que sou um fotógrafo de rua fazendo “situações achadas”, e o jeito mais interessante de trabalhar é andando na rua, capturando a vida enquanto ela acontece, por acaso.

Que desafios você enfrentou no rio?

As pessoas sempre falam na questão da segurança, mas estávamos com uma equipe numerosa. Fomos a uma favela por dois dias e não tivemos problema. Três das favelas em que estive eram seguras a ponto de não precisar de guarda-costas, de armas — a gente ficava livre.

Eu me senti seguro. Eu queria fotografar dentro de uma favela, como um cortiço na Índia, lugares úmidos, apinhados de gente, escuros, as pessoas nas ruas, se divertindo — foi isso que adorei.

E a multidão?

Isso é um negócio que aconteceu minha vida toda. Se você para na Índia, uma multidão se junta em torno de você, mas não me incomodo nem um pouco. Trabalhar na rua nesse caos todo não me afeta. Eu até que gosto de estar no tumulto — só que num casulo dentro do tumulto. Uma coisa que sempre te desafia é que você está trabalhando contra o relógio — você começa a clicar e tudo precisa acontecer num prazo de duas horas. É o mundo dos cabelos, da maquiagem e das locações, e tem a modelo que precisa pegar o avião. Então, tudo precisa dar certo bem rápido.

Mas tem de ser sua visão pessoal. Você precisa ser autêntico com sua voz interior. É tudo intuitivo, a coisa toda é feita por instinto, e se você erra a mão, está perdido. Você sai andando por uma aldeia ou uma cidade, e a aventura é: será que vou pra esquerda ou pra direita? Mas você segue o seu próprio nariz. Você está explorando. Você quer fazer o trabalho nos seus próprios termos, do seu jeito. Algumas ruas são um beco sem saída, mas no fim você acaba descobrindo algo, um acidente feliz, e aí aparecem as melhores situações.

Eu fiquei encantado com a imagem da menina vendendo pimentas na feira.

Foi uma garota que encontrei por acaso, não era uma modelo. Bati um monte de fotos. Procuro sempre aquele momento entre duas coisas, onde existe uma sensação de tensão no retrato. Quando as pessoas estão meio que desarmadas. Se elas estão se mexendo, quero captar uma sensação de movimento na imagem. Então não é estático. Quero capturar o jeito que as pessoas se movem, ou como elas se posicionam, as infinitas variações disso. Quero uma coisa natural, real, autêntica, o máximo possível. Acho que bati umas cinquenta fotos daquela menina.

Você ficou famoso por entrar no afeganistão em 1979. O que o levou a empreender essa viagem perigosa?

Pareceu uma coisa importante de se fazer, uma aventura, uma grande oportunidade de testemunhar a vida numa parte remota do Hindu Kush. Eu também estava procurando o povo kalash, perto de Chitral, uns dois dias ao norte de Peshawar, num vale remoto. Eles não eram muçulmanos, mas meio que pagãos, por assim dizer, e passei algum tempo com eles. Nas profundezas das montanhas. Provavelmente, continuam por lá, subsistindo com o mínimo possível. Não deve ter mais do que alguns milhares deles, hoje em dia. Fiquei um mês no Afeganistão na primeira viagem. Depois voltei em agosto, e bati mais fotos. Isso foi em Kunar, no Nuristão — em todo lugar que a gente ia, caminhava muito. As pessoas se vestiam de um jeito muito mais tradicional do que atualmente, e as armas que usavam eram rifles Enfield.

Qual foi sua maior realização como fotógrafo?

Foi em 1980, quando essas fotos do Afeganistão começaram a ser publicadas na Geo, Stern e Paris Match. As fotos dos afegãos lutando contra seu próprio governo. Tive uma página dupla enorme dos retratos afegãos na American Photographer. O New York Times pediu algumas, e usou com muito destaque, na primeira página. Isso foi demais. As fotos tinham sido tiradas alguns meses antes, mas eram históricas.

BIOGRAFIA STEVE MCCURRY

Por Paul Theroux

“Eu diria que sou um fotógrafo de rua fazendo ‘situações achadas’”, diz McCurry, descrevendo a si mesmo. Aquela fotografia em particular é um triunfo de observação capturada, toda uma narrativa de solidão, figuras refletidas numa paisagem urbana vibrante. “Você pode fazer um nu em qualquer lugar”, diz Steve McCurry. “Mas essas modelos estão vestidas, e cada uma delas tem seu próprio trabalho humanitário. Elas são determinadas e idealistas. Então, eu queria mostrá-las em um lugar especial. Por isso, o Rio foi perfeito.”

Steve McCurry tem viajado e tirado fotos por quase quarenta anos. Eu o conheço há trinta. Steve é um grande fotógrafo porque é um viajante cheio de recursos e uma pessoa humilde, e não conheço ninguém envolvido com um trabalho criativo que dê mais duro do que ele. Está sempre alerta, com um olho de lince para o modo como as coisas são, para achar a humanidade em cada imagem. Uma delas, de Sharbat Gula, a adolescente afegã de olhos verdes que ele fotografou num campo de refugiados em 1984, costuma ser chamada de uma das imagens fotográficas mais amplamente reconhecidas de todos os tempos. Steve, só ele para fazer uma coisa dessas, foi atrás da mulher, dezessete anos depois, e a fotografou outra vez.

Ele foi um viajante antes de ser um fotógrafo, e sempre assumiu riscos. Com 22 anos de idade, à procura de temas, pegou carona desde sua casa, nos Estados Unidos, atravessando o México e a América Central, até o Panamá (“Comprei algumas objetivas por lá”). Antes de completar 30 anos já viajara por Iugoslávia e Bulgária, e descera sozinho o Nilo, entrando em Uganda e no Quênia; viveu uma vida de vagabundo na Índia por dois anos, no fim da década de 1970, e visitou o Nepal e a Tailândia. E entrou escondido no Afeganistão, disfarçado de camponês afegão. Isso ainda com vinte e poucos anos.

Ficou famoso já em 1979 quando, durante um período de guerra civil, deixou a barba crescer, vestiu-se como os moradores locais, com um shalwar kameez, e acompanhou um grupo de cinco afegãos de Chitral, na acidentada província da fronteira noroeste do Paquistão, até o vale do Kunar, no Afeganistão, fotografando aldeias queimadas e bombardeadas e outras atrocidades. Sempre a pé, por trilhas montanhosas, vivendo de frutos silvestres, dormindo em cabanas. Dez meses depois, quando os soviéticos invadiram o Afeganistão, as suas foram as primeiras fotos a serem publicadas na Europa e nos Estados Unidos, de um desafiador mujahedin afegão. Depois de outra visita ao Afeganistão e trabalhos em Beirute, Baluquistão e na fronteira do Camboja, ganhou a reputação de fotógrafo de guerra. “Mas não era isso que eu queria. Eu queria ser um freelancer, indo onde tivesse vontade.”

Ele conseguiu realizar seu desejo — em suas viagens, por Índia, América do Sul, Japão e África, tem se dedicado a sua arte, procurando a luz certa; muitas de suas imagens são históricas, e consequentemente suas fotos se constituíram numa crônica dos hábitos, rotinas e costumes de um mundo em desaparecimento. “Tenho orgulho das locações, dos cenários e da luz neste projeto”, diz Steve McCurry das fotos que fez no Rio para o Calendário Pirelli. “A missão é encontrar a luz certa, a hora certa do dia, o lugar certo, e depois tentar fazer tudo funcionar. A luz é tudo.”

PIRELLI NO BRASIL

O Brasil é um país de importância crucial para a estratégia de crescimento da Pirelli, cujas operações locais remontam a 1929. O Brasil constitui o maior mercado automobilístico e de veículos industriais da América do Sul e também um dos maiores do mundo, e não é de surpreender que abrigue as maiores fabricantes de carros, motocicletas e veículos industriais.

No momento, a Pirelli conta com 22 fábricas de pneus no mundo todo. Destas, sete ficam na América do Sul e são usadas para produzir pneus para automóveis, veículos industriais, motocicletas, maquinário agrícola e de construção. Cinco delas ficam no Brasil (no Nordeste, Feira de Santana; Santo André, Sumaré e Campinas no estado de São Paulo; e, em Gravataí, no Rio Grande do Sul), uma na Venezuela, em Guacara, cidade perto de Caracas, e outra na Argentina, em Merlo, nos arredores de Buenos Aires. A sede da Pirelli sul-americana fica em São Paulo.

O coração tecnológico e industrial da Pirelli na América do Sul — uma região que contribui com um terço (34%) das vendas totais do grupo, mais de 5,6 bilhões de euros em 2011 — é a fábrica brasileira de Santo André, que se tornou parte do grupo há 83 anos, e é dedicada à produção de veículos industriais e agrícolas. Hoje em dia, o pólo industrial da Pirelli em Santo André conta com o apoio do Campo Provas Pneus Pirelli, em Sumaré, que tem 200 mil metros quadrados e se tornou um ponto de referência para testes de pneus de todos os segmentos (automóveis, motocicletas, utilitários esportivos, veículos agrícolas e industriais etc.). No total, a Pirelli possui cerca de 11 mil empregados só no Brasil e cerca de 14 mil em toda a América do Sul. Com o tempo, a presença industrial e comercial do grupo e sua importância cresceram em ritmo constante, de tal forma que hoje ela é líder absoluta no Brasil e na América do Sul. Uma posição de liderança incontestável tanto no segmento de equipamentos originais como em todos os

principais mercados de reposição, em particular o Brasil, onde a Pirelli possui uma rede de distribuição com mais de 550 pontos de venda exclusivos. Em 2012, pelo quarto ano consecutivo, a Pirelli ganhou o prêmio de maior reconhecimento de marca entre brasileiros do sexo masculino, concedido pela Folha de S.Paulo, e pelo décimo ano consecutivo como a marca mais conhecida no segmento de pneus. E é no Brasil, também, que a estratégia Premium da Pirelli vem registrando seu maior crescimento, juntamente com o crescimento do mercado de veículos de luxo, o que enfatiza o recente desenvolvimento socioeconômico do país. Na América do Sul, nos primeiros nove meses do ano, a receita cresceu 7%, comparado ao mesmo período em 2011, enquanto a receita no segmento Premium praticamente dobrou.

Atividades sociais e culturais

Alinhada à filosofia do grupo em todas as partes do mundo, para trabalhar, interagir e se integrar com as comunidades locais, a Pirelli do Brasil promove inúmeras iniciativas culturais, sociais, assistenciais, educativas, esportivas e de saúde pública. Por mais de vinte anos, a Pirelli tem promovido a exposição fotográfica Coleção Pirelli-MASP, no Museu de Arte de São Paulo. Ela reúne imagens dos fotógrafos contemporâneos mais importantes do Brasil e representa no total uma coleção de cerca de 1.100 fotos.

No setor cultural, a Pirelli apóia um leque de atividades que incluem produções teatrais e apresentações musicais, bem como o Festival de Cinema Italiano da cidade de São Paulo.

Na área social, a Pirelli, atuando em parceria com o poder público, opera numa variedade de setores. Em particular, o grupo apoia projetos para a recuperação e a reintegração de centenas de crianças e adolescentes em dificuldade no País todo, bem como programas de ensino, treinamento profissional e educação para a cidadania.

No Brasil, a área de pesquisa da Pirelli está comprometida com o desenvolvimento sustentável, pautando-se pelas metas estabelecidas em sua linha Green Performance. Mais particularmente, a Pirelli apóia o programa nacional brasileiro de reciclagem para pneus usados.

Além do patrocínio aos esportes a motor, muitas vezes na condição de fornecedora exclusiva (um total de 13 campeonatos, incluindo Fórmula 3, rallies e o Gt3 brasileiro), a Pirelli também já foi patrocinadora da equipe de futebol do Palmeiras, um dos principais clubes do país, quatro vezes campeão brasileiro e uma vez campeão sul-americano. Até a década de 1980, a Pirelli também atuou nos esportes por meio de seu Clube Atlético Pirelli, que conquistou grandes triunfos no plano nacional e internacional no vôlei, boxe, judô e ciclismo.

Kyleigh Kuhn

Quando tinha treze anos de idade, Kyleigh Kuhn viajou com sua mãe para o Afeganistão, onde viu em primeira mão todo o sofrimento e destruição causados pela guerra. Pouco depois dessa sua primeira viagem, Kyleigh criou a Penny Campaign, um projeto que encorajava os colegas de escola na Bay Area a arrecadar moedas para apoiar a missão de sua mãe, Roots of Peace. Desde então, tanto Kyleigh como sua família de ativistas têm trabalhado incansavelmente para construir escolas, parquinhos e campos de futebol no Afeganistão devastado. Ela se formou na universidade de Berkeley, no curso de estudos de paz e conflitos, e combinou com sucesso sua educação e seu trabalho. Desde que se tornou modelo, Kyleigh se valeu frequentemente da indústria da moda como um palco para suas causas filantrópicas. Atualmente ela trabalha com mulheres afegãs que se tornaram viúvas devido à guerra, para lhes assegurar algum nível de independência por meio de projetos de artesanato. Esses projetos resultaram na colaborações com diversos designers americanos cujos produtos são vendidos para arrecadar fundos destinados à educação e aos meios de subsistência. Um livro de arte detalhando o trabalho das fundações familiares no Afeganistão está sendo produzido, com lançamento previsto para dezembro de 2012.

Sonia Braga

A beldade brasileira Sonia Braga é uma defensora incansável dos direitos das crianças, principalmente de seu direito a uma educação adequada. “Muitas vezes nós, no Primeiro Mundo, olhamos para a educação como algo separado das necessidades básicas, como ter o suficiente para comer e um lugar decente para dormir.” Ela foi co-fundadora em 1997 da The National Hispanic Foundation for the Arts (NHFA), junto com Jimmy Smits, Merel Julia, Esai Morales e o advogado de Washington, D.C., Felix Sanchez. A missão da NHFA é promover a comunidade latina tanto na frente como atrás das câmeras. A NHFA oferece oficinas sobre a indústria cinematográfia e um programa de bolsas para alunos de graduação tentando uma carreira nas indústrias de entretenimento e telecomunicações, em diversas universidades americanas de prestígio, incluindo a Universidade de Nova York, a Columbia, Harvard e Yale.

Isabeli Fontana

Isabeli nasceu em uma família pobre na cidade brasileira de Curitiba, então ela reserva um lugar especial em seu coração aos menos afortunados, tendo vivenciado de perto a pobreza. Após alcançar o sucesso, Isabeli fez generosas contribuições por muitos anos para um orfanato local em Florianópolis. Agora mãe de dois filhos, ficou mais apaixonada do que nunca pelas crianças carentes. Atualmente, Isabeli é embaixadora brasileira para a www.1love.org, uma organização que atua em colaboração com a Save the Children. Mais recentemente, a One Love Foundation engajou-se numa missão para fornecer instrumentos musicais para alunos de escolas carentes. No ano passado, ela também doou seu tempo e dinheiro para o AMFAR Inspirational Gala inaugural em São Paulo, quando ajudou a levantar quase 750 mil dólares para o programa de pesquisa de AIDS da fundação.

Elisa Sednaoui

Elisa Sednaoui é, além de supermodelo, uma humanitarista multifacetada. Seu recente documentário, co-dirigido com Martina Gili, intitulado Kullu Tamam (Tudo bem), conta as histórias de pessoas comuns numa pequena aldeia do sul do Egito, que compartilham a descoberta repentina da “liberdade de expressão”, propiciada pela queda do governo opressor de Mubarak. As diretoras queriam mostrar o Egito de uma perspectiva diferente, por intermédio das vidas simples de pessoas em uma área mais rural. Para Sednaoui: “Os egípcios e seu modo de encarar a vida tocaram meu coração e me influenciaram profundamente, então houve um desejo de dividir isso com os outros.” Elisa tem extremo orgulho do povo egípcio e da força e determinação que mostraram. “Eles fizeram realmente uma revolução”, diz, mas ela entende também que democracia sem corrupção é algo que as pessoas precisam construir do zero. “E um ano depois estão fazendo isso. Estão dizendo, basicamente, ‘Não vamos deixar por isso mesmo até termos o que queremos’.”

Marisa Monte

Nascida no Rio, Marisa Monte é uma cantora e compositora brasileira, além de produtora musical, com uma carreira que se estende por 25 anos. É uma carioca da gema, promovendo a música e a cultura brasileiras e alguns de seus artistas que de outro modo permaneceriam esquecidos. Marisa produziu os álbuns Tudo Azul (2000) e Argemiro Patrocínio (2002), dois projetos da Velha Guarda da Portela, compositores de uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro. Em 2008, ela co-produziu o filme O mistério do samba, inspirado na história desse fascinante gênero musical. Marisa Monte também participa de inúmeros projetos sociais no Brasil, sendo madrinha dos Filhos da Águia (o grupo jovem da Portela) e integrando as campanhas Rio com Gentileza e Sou da Paz, no Rio.

Petra Nemcova

Modelo tcheca, escritora e filantropa, Petra Nemcova criou o Happy Hearts Fund em 2006, dois anos após sobreviver milagrosamente ao tsunami do oceano Índico, em 2004, que matou quase 280 mil pessoas. Tendo testemunhado a terrível devastação com seus próprios olhos, Petra foi levada a criar o HHF quando voltou à Indonésia, e se deu conta da existência de uma lacuna no programa de recuperação do desastre que sua organização poderia ajudar a preencher. O principal objetivo do HHF é ajudar a levar bem-estar e esperança às vidas de crianças atingidas por desastres naturais, com a rápida construção de escolas e moradias. O HHF já forneceu inestimável assistência a catorze países e atua presentemente em seis outros. Em setembro de 2012, a fundação construiu 67 escolas, devolvendo um sentido de comunidade às vidas de mais de 40 mil crianças.

Hanaa Ben Abdesslem

Natural da Tunísia, Hanaa é uma defensora incansável da melhoria das instalações de saúde pública e dos serviços sociais em seu país. Atualmente, é porta-voz da Esmâani, uma organização sem fins lucrativos, forjada no otimismo entusiasmado da Primavera Árabe. O principal objetivo da Esmâani é ajudar a suprir as necessidades sociais dos membros menos afortunados da sociedade tunisiana. Além de organizar exposições de arte e shows musicais, a Esmâani fornece treinamento para equipes de voluntários que trabalham regularmente nas instituições de saúde e nos hospitais, oferecendo amparo, conforto e solidariedade, além de apoio financeiro, para os doentes e necessitados. Hanaa participa de todas essas atividades, com tanta frequência quanto sua agenda de trabalho o permite. Ela também faz doações de brinquedos e de equipamentos de entretenimento infantil e ajudou a suprir áreas de recreação em diversos hospitais.

Summer Rayne Oakes

Summer Rayne Oakes regulou sua carreira para casar perfeitamente seus valores com seu trabalho. Formada na Universidade de Cornell em ciência ambiental e entomologia, é autora de um guia de estilo, Style, Naturally, um best-seller, e co-fundadora da Source4Style, um mercado de business-to-business que conecta os designers diretamente com fornecedores de materiais sustentáveis no mundo todo. Ela desenvolveu coleções ecologicamente corretas para várias marcas, incluindo MoDo Eco Eyewear, Aveeno e Portico Home. Oakes é colaboradora da revista Above e recentemente escreveu e produziu seu primeiro filme — um curta-metragem de arte, de temática ambientalista, chamado eXtinction. Verdadeira “eco-otimista”, seu ativismo ambiental já foi amplamente celebrado e louvado pela Vanity Fair, CnBC, Outside Magazine e muitas outras.

Karlie Kloss

O pai de Karlie é médico e ela cresceu cercada pelo mundo da medicina e da cura, que lhe proporcionou um claro entendimento tanto das alegrias como das tristezas que a vida pode oferecer. Profundamente afetada pelo catastrófico terremoto no Haiti em 2010, Karlie, junto com sua amiga Petra Nemcova, envolveu-se com a Tents Today Homes Tomorrow, de Donna Karan, uma iniciativa da Happy Hearts Foundation. Ela generosamente cedeu seu tempo, nome e cachê para os esforços humanitários. Karlie é reconhecida pelas colegas como uma pessoa destinada a fazer a diferença, mais contribuindo do que tirando, do mundo. Ela planeja se envolver com causas pediátricas, focando particularmente em filhos de famílias destruídas pelas drogas. Depois que Karlie voltou de uma recente sessão fotográfica para a Vogue na China, Anna Wintour observou em seu editorial: “Se Karlie um dia decidisse pôr de lado suas ambições na medicina, ela daria uma grande embaixatriz.”

Adriana Lima

Adriana trabalha atualmente com o programa de iniciativa global de Bill Clinton no Haiti. Adriana visitou o país com a iniciativa Clinton, cuja meta é ajudar a apoiar e desenvolver a economia local. No Haiti, conheceu pessoalmente líderes do mundo empresarial e viu os enormes problemas sociais e econômicos que eles enfrentam. Adriana, que recentemente deu à luz seu segundo filho, fico profundamente tocada pelo projeto de expandir o programa de maternidade no Hospital Católico de Port Au Prince — fazendo da instituição um lugar onde mães e filhos com complicações podem receber o tipo de cuidados médicos que até o momento têm sido ausentes nesse país tão sofrido. No futuro próximo, Adriana usará seu status de supermodelo para promover uma campanha de mídia social no Facebook que, assim espera, levantará dinheiro suficiente para os custos de construção de uma nova ala na maternidade.

Liya Kebede

Liya Kebede é supermodelo, atriz, designer e filantropa. É fundadora da Liya Kebede Foundation, membro do quadro consultivo da campanha Mother’s Day Every Day e exembaixatriz da boa vontade para o programa de saúde da mãe e da criança da Organização Mundial de Saúde. Sua fundação homônima é comprometida em assegurar que toda mulher, sem exceção, tenha acesso a assistência médica. O programa de Kebede trabalha para educar os responsáveis pelas políticas públicas e apóia programas que salvam vidas, em parceria com governos, organizações alternativas e comunidades atingidas. O foco é na coordenação estratégica e na mobilização de todos os recursos possíveis, de médicos e parteiras  qualificados a ambulâncias, roupas de cama limpas e equipamento médico básico. Nas palavras de Liya: “Nós nos dedicamos a salvar a próxima geração de mães.”

CALENDARIO PIRELLI: PHOTOGRAPHERS AND LOCATIONS

1964 Robert Freeman in Maiorca

1965 Brian Duffy in the south of France

1966 Peter Knapp in Al Hoceima, Marocco

1967 Non pubblicato

1968 Harry Peccinotti in Tunisia

1969 Harry Peccinotti in Big Sur, California

1970 Francis Giacobetti in Paradise Island, Bahamas

1971 Francis Giacobetti in Giamaica

1972 Sarah Moon in Villa Les Tilleuls, Paris

1973 Allen Jones in Londra

1974 Hans Feurer at the Seychelles islands

1975-1983 Non pubblicato

1984 Uwe Ommer in Bahamas

1985 Norman Parkinson in Edimburgh, Scotland

1986 Bert Stern in the Cotswolds, England

1987 Terence Donovan in Bath, England

1988 Barry Lategan in London

1989 Joyce Tennyson in the Polaroid Studios, New York

1990 Arthur Elgort in Seville, Spain

1991 Clive Arrowsmith in France

1992 Clive Arrowsmith in Almeria, Spain

1993 John Claridge at Seychelles

1994 Herb Ritts in Paradise Island, Bahamas

1995 Richard Avedon in New York City

1996 Peter Lindberg in El Mirage, California

1997 Richard Avedon in New York City

1998 Bruce Weber in Miami

1999 Herb Ritts in Los Angeles

2000 Annie Leibovitz in Rhinebeck, New York

2001 Mario Testino in Naples

2002 Peter Lindbergh in Los Angeles

2003 Bruce Weber in Southern Italy

2004 Nick Knight in London

2005 Patrick Demarchelier in Rio de Janeiro

2006 Mert and Marcus in Cap d’Antibes, Francia

2007 Inez and Vinoodh in California

2008 Patrick Demarchelier in Shanghai, Cina

2009 Peter Beard ad Abu Camp/Jack’s Camp, Botswana

2010 Terry Richardson in Brazil

2011 Karl Lagerfeld in Parigi

2012 Mario Sorrenti in Murtoli, Corsica

2013 Steve McCurry in Rio de Janeiro