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Superando obstáculos
com velocidade e independência

Ele soube se reinventar, reformular seu corpo, para apreciar o que mais amava, que era a velocidade. Em uma história que une superação e paixão, Fernando Fernandes conta como foi o ponto da virada da sua vida após seu fatídico acidente

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Ele era atleta, modelo internacional e conhecido pelo grande público pelas ruas depois de participar de um famoso reality show. Mas um acidente de carro em 2009 o fez perder o movimento das pernas, modificando o mundo que conhecia. Aquela pessoa que era hiperativa tinha tudo para se tornar uma abatida e sem vontade de lutar ao máximo pela sua vida, mas nada disso aconteceu. Pelo contrário, as mudanças que Fernando Fernandes conquistou durante essa recuperação dão inúmeros frutos a cada dia que passa.

Em um bate papo marcante com a Pirelli, ele comentou como fez para mudar a sua mente, seu pensamento e fazer aquilo que ama de paixão e incondicionalmente, que é a velocidade misturada com a natureza.

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Da perda dos movimentos até os títulos mundiais

Estar em um estado onde não consegue mover as pernas pode ser atordoante para muitos, mas Fernando Fernandes encontrou em si mesmo uma enorme vontade de fazer acontecer e derrubar todas as barreiras que encontrava pelo caminho, numa luta de muita perseverança e força interior.

“O ponto marcante da minha vida foi quando eu perdi o movimento das minhas pernas. Eu passei a me sentir uma criança novamente e, aos 29 anos de idade, tive que aprender a fazer tudo novamente. E para isso, tive que buscar novas formas de viver minha vida.”

“Eu sempre fui uma pessoa que amava o esporte - fui jogador profissional de futebol, fui atleta de boxe amador, jogava basquete, andava de skate etc. Minha vida foi sempre muito em movimento. O momento curioso foi que, quando eu perdi o movimento de algo, que no caso foram das minhas pernas, eu tive que criar novas maneiras de viver a minha vida e, no primeiro momento, foram as rodas que me ajudaram”, revelou Fernando.

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“Tive que criar, com as rodas, esse movimento de novo, pois eu tinha que descobrir essa forma de me movimentar dentro desse mundo. Meu primeiro contato com o esporte depois do acidente foi a canoagem para cadeirantes. Eu comecei a remar da minha forma, de uma maneira mais intensa, mais forte, e aí logo veio na minha cabeça: quando eu sair desse centro de reabilitação eu quero sentar no meu carro – eu não sabia como dirigir – colocar o caiaque em cima e sair remando em todos os lugares que eu puder”, disse Fernandes.

Toda essa vontade de vencer – na vida e no esporte – sempre se dedicando ao máximo, lhe rendeu excelentes resultados: “Me tornei profissional no esporte e fui o primeiro brasileiro campeão mundial da história da canoagem. E nessa, fui uma, duas, três... quatro vezes campeão mundial. Só que mais do que isso, encontrei uma ferramenta de força e de capacidade no esporte”.

Mudando o foco

Como tudo tem seu fim, a canoa, depois de alguns anos, acabou sendo deixada de lado, pelo menos em um grau de competição mundial, focando agora para se superar em outras frentes.

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“Chegou um momento que eu não queria mais competir, pois queria aproveitar esse lado lifestyle do esporte, usando-o como uma ferramenta de capacidade e de oportunidade. Aí eu pensei que, seu criasse novas formas de fazer esportes de maneiras intensas, de uma maneira nova, aquilo iria quebrar um conceito na sociedade de capacitação. Pois quando você fala sobre um cadeirante, você já visualiza alguém incapaz de algo. Eu quis criar esportes nunca vistos ainda nesse mundo e, a partir disso, fazer isso em alta intensidade, começando a quebrar esse paradigma, esses conceitos”, comentou Fernando.

“Fui o primeiro [cadeirante] a saltar de paraquedas, o primeiro a fazer kitesurfing, o primeiro a fazer wakeboard... hoje em dia estou voando de paramotor. E por ser uma pessoa conhecida antes do acidente, por ter sido modelo internacional, eu vi que eu poderia criar isso. Eu tinha que levar isso para o maior número de pessoas possível, e foi aí que comecei a ter as ideias para o meu programa de televisão”, disse.

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“Eu preciso levar isso para a TV, mas de uma outra maneira, pois ela está acostumada a mostrar o cadeirante como modelo de superação, e eu já passei por isso. Eu queria um programa que eu mostrasse capacidade, intensidade, força, excelência, tudo de uma forma diferente. E numa das conversas com a Rede Globo, surgiu a oportunidade de eu ter um quadro no esporte espetacular para mostrar tudo que eu estava fazendo – inclusive mostrando com os meus olhos na edição, tendo essa liberdade deles. E esse foi o grande boom, não só na minha vida, mas também na sociedade, onde as pessoas começaram a ver de forma diferente tudo que eu vinha fazendo. Eu passei a me sentir um atleta melhor e uma pessoa melhor, passando toda essa vontade para quem estava assistindo. Ser uma fonte de transformação na cabeça das pessoas”, revelou.

Chegada ao Ceará

“Uma das grandes mudanças recentes na minha vida foi quando, há dois anos, nessa busca incessante por coisas novas, eu conheci o Kitesurfing. Aí meu mundo transformou. Era um esporte completamente novo que ninguém estava praticando, que tive que criar a adaptação na forma de participar, de enfrentar os problemas dentro da água. As pessoas se assustavam, ficavam com cara de desespero, de espanto ao me ver ali, e isso me motivava ainda mais, era meu grande barato”, disse Fernando, que ainda morava em São Paulo, mas tinha grandes planos para um “voo” em sua vida.

“Na sequência foi quando o kite mudou realmente a minha vida. Eu me mudei para o Ceará, que é um ótimo lugar para a prática do esporte – mas ainda tenho casa em São Paulo. Mas junto com o esporte veio outro problema, que era o acesso, já quer era um esporte praticado no mar, onde tem muita areia. 70% do Ceará é areia e eu não gostava da dependência das pessoas em me levar até o local. Eu precisava criar formas de fazer tudo por mim mesmo, e é aí que as rodas entram em novamente na minha vida. O carro já me levava para o Brasil inteiro, mas agora é o quadriciclo passou a ser uma parte de mim. Minha vida passou a ser uma picape, cheia de equipamento de kitesurfing, puxando um quadriciclo. As pessoas até já me reconhecem só de ver de longe. As vezes nem uso a cadeira de rodas, pois saio do carro direto para o quadri e dele já vou para a beirada da praia e de lá já começo a velejar”, comentou Fernandes.

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A experiencia humanitária e espiritual

Desde seu acidente, quando se sentiu muito ajudado e tocado pelas pessoas ao seu redor, Fernando tem ampliado os trabalhos voluntários que fazia, levando a quem necessita um pouco mais de conforto, de carinho.

“Sempre participei de trabalhos sociais. Eu comecei ajudando orfanatos quando mais jovem e, na época do boxe, eu cursava os treinos dos meninos do Vidigal. Eu sempre quis ajudar quem estava ao meu redor e, com o tempo, eu fui percebendo que eu poderia fazer mais, levando em conta que estava me tornando uma pessoa conhecida, um personagem”, revelou.

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“Quando eu sofri meu acidente eu recebi muitas energias das pessoas, muita força, inclusive de gente que nem conhecia, de seres humanos muito simples, como moradores de rua. E eu falava: preciso devolver isso para a sociedade de alguma forma”, disse.

“Há seis anos eu criei meu instituto, o Instituto Fernando Fernandes, onde eu, por meio da canoagem, faço com que as pessoas se sintam capazes novamente. Além disso, as causas foram chegando à minha pessoa, como o Criança Esperança, que considero um trabalho incrível que consegue levar a todo o Brasil um alento para milhares de crianças”.

“E também por meio do esporte que pratico, das gravações do programa, que acessa muitas vezes áreas remotas, eu fui vendo muitas pessoas que precisam de ajuda e estão em necessidade, eu comecei a ajudar como podia, seja com a minha imagem ou financeiramente, como doações de cadeiras de rodas e ajudas financeiras, muitas vezes sem ninguém ficar sabendo, pois não tem que se fazer promoção em cima disso”, comentou.

A mensagem para (mais uma) superação

Acostumado a se superar, Fernando dá um conselho para todos na hora de enfrentar os desafios que estamos encarando com essa pandemia da Covid-19: deixe sua mente criativa!

“Pare de vivenciar só o problema, use esse momento de reclusão, quando está em casa, com poucas pessoas, para, em primeiro lugar, viver isso, mas olhando por outros olhos, se aproximando de quem está na sua casa, seus familiares, que quase você não vê. Tente deixar sua mente criativa para entender o que o mundo está nos proporcionando através desse caos. No momento de dificuldade é onde temos que tentar ser positivos e criativos. É no meio da fatalidade que temos que encontrar uma oportunidade. Seja positivo, consuma coisas boas e deixe sua mente trabalhar positivamente nesse momento, pois é isso que vai nos fazer ficarmos mais unidos e conseguiremos mudar essa realidade quando a pandemia passar”, finalizou Fernando Fernandes.

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