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Porque o Brasil
se chama Brasil

Conheça algumas curiosidades sobre os diversos nomes já atribuídos ao nosso país

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Era o ano de 1500 quando os portugueses avistaram pela primeira vez esse litoral imponente e grandioso. Eles se depararam com a natureza em estado absoluto. Uma terra abundante em árvores e água de boa qualidade, habitada por gente boa, inocente e com linguagem pacífica.

Um novo mundo. Que não se mostrava ao certo se era uma ilha ou a terra firme de um novo continente. 

Foi dessa forma que o líder da expedição portuguesa, Pedro Álvares Cabral, descreveu a primeira porção de terra avistada pela expedição, em uma carta ao rei de Portugal, Dom Manuel I, em 1500.

A primeira impressão foi de ter se deparado com uma enorme ilha no caminho para as Índias, e, portanto, deu-se o nome de “Ilha de Vera Cruz”. Podia significar um local estratégico para a chegada a Índia e também para garantir a soberania na rota do Cabo. 

Porque o Brasil se chama Brasil 01

Os portugueses, assim como os demais navegadores da época, ainda não detinham o completo conhecimento das artes da navegação marítima para determinar a localização precisa de onde estavam. Mas usavam uma referência incontestavelmente valiosa para a época, que era a navegação astronômica. Mas o destino dessa viagem deveria ser a Índia. Há quem afirme que as mudanças de rota assumidas pelo comando de Pedro Álvares Cabral na expedição não foram ao acaso, mas por interesse do domínio Português em descobrir terras novas.

Após maiores desbravamentos da costa, percebeu-se que pela sua dimensão não poderia ser apenas uma ilha, mas uma terra muito grande. Seja ilha ou terra, seu nome foi rapidamente assumindo outras derivações: do nome original “Ilha de Vera Cruz”, passou rapidamente para “Terra de Vera Cruz”, e logo foi substituído por “Terra da Santa Cruz”. 

O nome era uma estratégia do rei Português que tinha o claro projeto de propagar a fé da religião católica no país e também em suas novas conquistas, e mantinha o grande valor da sociedade em prevalecer um governo cristão. Daí surge a associação com a terra da “verdadeira cruz” ou da “santa cruz”.

Antes disso, porém, os nativos que habitavam o novo território denominavam o local de uma forma diferente - O chamavam pelo termo “Pindorama”, que na língua tupi-guarani significa “terra das palmeiras”. Bastante apropriado para um local repleto de diferentes espécies de árvores, incluindo palmeiras e coqueiros.

Após a descoberta, diversas expedições seguiram para a “Terra de Santa Cruz”, mantendo o objetivo de uma colonização cristã e implantando a religião a todos os habitantes dessa terra. 

A descoberta do Novo Mundo somente foi revelada aos países rivais na Europa em 1501, um ano depois, através de uma carta do Rei Dom Manuel I. O monarca quis manter sob estrito sigilo as informações estratégicas de rotas de navegação e do descobrimento.  

A exploração das riquezas naturais do local se expandiu categoricamente em cima da extração do pau-brasil, uma árvore que possui uma seiva vermelha, da cor de brasa, capaz de tingir tecidos e trazer grande poder comercial a monarquia portuguesa.

A extração do pau-brasil era uma atividade bastante fácil para os colonizadores. Havia abundância da árvore em todo o litoral, e se aproveitavam do trabalho escravo indígena, forçado, a base da violência e trocas de produtos. 

Porque o Brasil se chama Brasil 02

A Coroa Portuguesa decidiu, então, regulamentar a exploração do material, incentivando comerciantes a se mudar de Portugal às terras novas. Na verdade, a coroa queria assegurar que quem fizesse a exploração deveria ter uma especial autorização para isso e deveria também pagar as devidas taxas impostas. Assim seria garantido que a riqueza não fosse retirada do país sem que os monarcas tivessem vantagens.

De 1502 a 1512, somente um dos comerciantes exploradores do pau-brasil, Fernão de Noronha, derrubou cerca de 20 mil pés da espécie pela costa brasileira. Durante o período de exploração de Noronha, o nome da colônia começou a se tornar referência da terra de exploração do pau-brasil, e passou a ser conhecida como a “Terra do Brasil” e posteriormente, somente Brasil.

Pedro Álvares Cabral, o descobridor do Brasil e que pregou o cristianismo desde o início da exploração, relata o novo nome com grande decepção: "Este nome (Brasil) ficou preso na boca do povo, e o nome da Santa Cruz ficou perdido, como se o nome de uma madeira que tinge panos fosse mais importante que a madeira que manteve todos os Sacramentos pelos quais fomos salvos."

Com a consolidação do sistema colonial, o Brasil passou a ser reconhecido como Colônia do Brasil do Reino de Portugal. Em 1808, com a chegada do rei Dom João VI e sua corte, o Brasil passou a integrar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. 

A Independência do país foi proclamada em 1822, e o Brasil passou à condição de império, mudando seu nome para Império do Brasil, que se manteve até 1889.

Após a Proclamação da República, em 1889 e com a implementação da primeira constituição republicana, em 1891, o nome passou a ser Estados Unidos do Brasil – um nome bastante influenciado pelos Estados Unidos da América. Por fim, com a constituição elaborada durante a Ditadura Militar, em 1967, o nome se tornou República Federativa do Brasil e se manteve na Constituição de 1988, prevalecendo assim até os dias de hoje.

Porém a história do nome do nosso país pode ser ainda mais curiosa.

Conta-se de uma antiga lenda irlandesa, de origem nas civilizações celta e gaulesa, que faz referência a uma ilha mitológica representada em muitos mapas do Oceano Atlântico da época. Muitas expedições francesas e inglesas partiram em busca desse local, infelizmente sem sucesso. 

Diz a crença que a ilha não podia ser vista por humanos, pois estava sempre coberta por uma camada de névoa, exceto por um dia a cada sete anos, quando se tornava visível, mas assim mesmo de acesso impossível. 

Esta ilha era chamada de “Brasil”, e tem sua origem na palavra celta “breasil”, que significa “vermelho”, fazendo uma alusão ao nome popular do sulfureto de mercúrio, um mineral de cor vermelho brilhante utilizado desde a antiguidade como base para corantes e em pintura corporal, e que era comercializado pelos fenícios e gregos. Quando eles deixaram de comercializar o “breasil”, desapareceram nas brumas do Atlântico. E nunca mais voltaram. Os celtas acreditavam que eles moravam em uma ilha paradisíaca coberta de nevoa. A Ilha do Brasil.

Um manuscrito medieval, aproximadamente do ano 1.200, traz o relato de um navegador que viveu entre os anos 484 e 577, e que teria descoberto e residido na Ilha do Brasil. Ele descreve as terras como um local de vegetação exuberante e animais exóticos – o que coincide com as primeiras impressões dos navegantes portugueses no Brasil. 

Em um mapa Espanhol que remonta ao ano de 1480, uma ilha chamada “IlHABrasil” pode ser encontrada ao sudoeste da Irlanda, supostamente a mesma localização da ilha mística.
Alguns historiadores afirmam que o navegador Pedro Álvares Cabral pensava ter encontrado a ilha legendária dos contos celtas quando atingiu o Brasil em 1500 e, por essa razão, chamou a nova terra por esse nome.

A realidade da história do nome pode até ser duvidosa. Seja com sua origem em lendas, guerras ou na chegada a América, fato é que desde a consolidação do sistema colonial, na década de 1530, o Brasil passou a ser conhecido como Brasil e toda a referência da cultura brasileira se origina com base nesse passado.

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