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Porque o Brasil é
o país do futebol

O Brasil conquistou por cinco vezes o título da Copa do Mundo de Futebol, e nenhum outro país pode dizer a mesma coisa. Será esse o motivo de ser considerado o país do futebol?

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O Brasil é repleto de características sociais, sejam elas na música, na dança, na religião, por suas marcantes novelas ou pela paixão pelo futebol. E tudo reflete o estilo brasileiro, repleto de emoção e excessos. No caso do futebol, a emoção e o excessivo caminham de mãos dadas.

Porque o Brasil é o país do futebol

Por isso o futebol é parte fundamental da identidade do Brasil e se manifesta em todos os aspectos da sociedade. Foi assim desde o princípio.

É uma história de verdadeiro espírito esportivo e ideais de aventura, libertação e, claro, sucesso!

Começamos no final do século XIX, quando o Brasil abriu as fronteiras para 3000 famílias britânicas que chegaram para trabalhar no projeto da construção ferroviária em São Paulo. Naquela época estávamos começando o desenvolvimento industrial, mas o país sofria com a triste e dura história de exploração e escravidão.

A família Miller decidiu enviar seu filho Charles para estudar na Inglaterra, e por lá permaneceu por alguns anos. Anos esses onde Charles Miller teve contato com o nascimento do Futebol. Aprendeu rapidamente as regras do jogo, desenvolveu técnica e habilidade. Charles começou a jogar pela universidade e assim permaneceu durante todo o seu tempo de estudo e tornou-se um jogador de destaque na Europa.

Ao retornar ao Brasil, Charles trouxe uma bola e um livro de regras. Ele passou a promove-las na comunidade britânica de São Paulo e começaram as primeiras partidas de futebol. Na época, as equipes participantes eram o São Paulo Railway e a Companhia de Gás, formadas basicamente por jogadores ingleses. Em 1888, o primeiro clube foi fundado na cidade, o SPAC, Clube Atlético São Paulo. 

No início, os praticantes do futebol pertenciam a aristocracia, e a camada mais pobre da população só podia ver. Porém o interesse era tanto, que o esporte começou a ganhar espaço nas várzeas. Era uma forma da população pobre fugir da grande diferença social e educacional, pois o esporte podia ser praticado por qualquer um, em qualquer tipo de campo.

A partir de então não se pode conter o interesse e rápido crescimento de sua popularidade.

Apenas pessoas de pele branca participavam dos jogos, e foi assim até a década de 1920 quando a população pobre e negra foi aceita para competir nos campeonatos. Esse foi um verdadeiro marco da popularização do esporte.

A disputas começaram entre equipes compostas por funcionários de fábricas, e os proprietários perceberam a oportunidade que tinham em divulgar suas marcas com um baixo investimento e em um ambiente que juntava multidões. E assim, surgiram os primeiros torneios e campeonatos, que se tornaram regionais e foram crescendo pelo país e em disputas internacionais.

Eram momentos de descontração e alegria para o povo. Um povo que enfrentava uma forte tensão em decorrência das mudanças na economia, se abrindo a um mercado de trabalho livre, e a consequente necessidade de reorganizar uma sociedade. O futebol, mesmo sendo um esporte “estrangeiro”, pertencia ao mesmo processo de mudança da sociedade e fez parte da modernização do país. Foi adotado de coração pelo povo brasileiro.

Como consequência, o esporte passou a representar uma das maiores ferramentas para amenizar as tensões da sociedade e, assim, a história do futebol no Brasil se desenvolveu com muita proximidade dos fatos políticos. 

Ainda em 1919, com o então presidente Delfim Moreira, a seleção brasileira chegava pela primeira vez a uma final do Campeonato Sul-Americano de Futebol, numa disputa contra o Uruguai, no Estádio das Laranjeiras, o primeiro estádio construído no Brasil, com capacidade para 18.000 espectadores. 

Era o começo de uma briga sindicalista com o governo, e ao mesmo tempo existia uma grande expectativa com a partida. Por fim Delfim Moreira decretou ponto facultativo em toda repartição pública, como uma forma de acalmar a população. Ainda sob seu comando, começaram as primeiras regulamentações da Federação de Futebol e suas muitas associações. Nessa mesma época foi registrado em um artigo do jornal A Gazeta a primeira partida de futebol feminino no Brasil.

Toda a glória dos esportes e suas conquistas eram convertidas no principal poder que refletia o Estado. E tomou as mais representativas proporções a partir da década de 30, durante a era Vargas.

A centralização política vinda com a Revolução de 30, e o golpe da ditadura em 1937 deixou a sociedade brasileira em cheque com seus conflitos e interesses individuais e de classes. O propósito do estado vinha de encontro com o que se buscava no futebol: um fenômeno popular e de massa. O povo precisava encontrar sua própria identidade, e o governo utilizou a imagem dos jogadores e da Seleção Brasileira para aumentar seu populismo.

Viemos de uma fase de total negação da etimologia brasileira, de sua descendência de negros, mulatos e índios, mas que fazia parte fundamental da identidade do Brasil. Isso desde o início se refletia em um estilo único do brasileiro no futebol, com a plena expressão do nosso “mulatismo” ágil em driblar e dominar a bola, um verdadeiro reflexo da dança, de nossas músicas e esportes, como a capoeira. Essa era a imagem da população no campo, e toda a glória esportiva foi convertida em vitória do Estado.

A relação Estado-Futebol foi se estreitando ainda mais na época da Ditadura Militar, de 1964 a 1985. Campanhas publicitárias do Estado eram protagonizadas por ídolos do futebol, que conquistaram 3 Copas do Mundo nesse período, 1958, 1962 e 1970. Nessa época os jogadores passaram a realizar a preparação física em clubes militares. 

A imagem da vitória sob uma orientação militar fortaleceu o imaginário de uma nação moderna e reconhecida como potência mundial. Uma manobra política que usa a força emocional do esporte para dar legitimidade a diversas ações políticas e econômicas.

Por outro lado, o futebol tem sua autonomia na genialidade individual dos jogadores, como aconteceu com Leônidas, Pelé e Garrincha. Verdadeiros ídolos que levaram esperança e orgulho a uma nação.

O time nacional foi campeão por cinco vezes na Copa do Mundo da Fifa, feito exclusivo da seleção canarinho em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, e é a única equipe a ter sucesso em se classificar para todas as competições da Copa do Mundo desde o início. Está sempre entre os times favoritos para ganhar um troféu.

Com tantas conquistas, os brasileiros se tornaram o símbolo de um futebol mágico, que amedronta qualquer adversário. 
O futebol é como o mundo vê o Brasil e como os brasileiros se veem no mundo. 

O jogo simboliza não só a harmonia racial, juventude, inovação e habilidade, mas teve um papel fundamental na construção da identidade nacional brasileira, na medida em que foi se transformando numa "paixão nacional", e compondo de maneira significativa o mosaico da cultura política nacional. 

Assim como o carnaval e o samba, o futebol é um dos patrimônios culturais brasileiros. E por isso podemos dizer com orgulho que o Brasil é o país do futebol.

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