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A história do Cristo Redentor

Mais do que uma grandiosa escultura, o Cristo Redentor é um monumento dedicado à ciência, a cultura e a religião. Veja algumas das curiosidades que envolvem o desenvolvimento desse projeto tão especial para os brasileiros e para o mundo

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A história do Cristo Redentor

Do alto da montanha ele observa o mar e a Cidade Maravilhosa. Seus braços estão abertos como se abraçasse a todos. A estátua do Cristo Redentor é, para alguns, um grande símbolo religioso. Para outros, um ponto de turismo irresistível. Sua imagem é conhecida em todo o mundo, mas poucos conhecem sua verdadeira história.

A história do Cristo Redentor

7 de setembro de 1822. O Brasil declara sua independência em relação a Portugal. O padre católico Pedro Maria Boss chega a capital e fica impressionado com a beleza do Morro do Corcovado. O padre então procura a princesa Isabel I e compartilha sua ideia de construir um monumento religioso em sua homenagem. Isabel se animou com a oferta do padre e então não ofereceu nenhum financiamento. Em 1883, a realeza brasileira foi substituída por uma república e o governo instituiu uma clara separação entre igreja e a política do estado. 

Com o término da Primeira Guerra Mundial, a Arquidiocese católica do Rio de Janeiro temia uma onda de incredibilidade do cristianismo e então propôs ao governo a construção de uma estátua de Jesus Cristo na desafiadora geografia do cume do Corcovado – a 704 metros de altura, e que seria visível em qualquer lugar do Rio. Está seria uma maneira de retomar uma educação religiosa que serviria de exemplo a todos os estados.

O governo apoiou o projeto e a primeira pedra da base foi oficialmente posta em abril de 1922, ano de comemorações do centenário da independência do Brasil. No mesmo ano, foi realizada uma competição para encontrar um projeto para a grandiosa obra nacional, e o desenho do arquiteto e engenheiro carioca Heitor da Silva Costa foi escolhido. O primeiro projeto trazia um Cristo carregando uma grande cruz de um lado, enquanto segurava um globo terrestre com a outra mão.

Da Silva Costa convidou o artista e desenhista Carlos Oswald para fazer parte desse desafio, e então começaram a estudar o Morro do Corcovado a partir de vários ângulos da cidade. Um novo projeto do Cristo tomou forma. Nesta nova versão, Cristo se tornou ele mesmo a cruz, com seus braços estendidos mostrando a redenção da humanidade na crucificação.

Mas o novo desenho também trouxe novos desafios. Da Silva Costa já havia concluído que, para ser visível do centro da cidade - a 4 km de distância, a estrutura precisaria ser enorme. Também teria que ser imensamente resistente para suportar a base da obra. Da Silva Costa decidiu construir a estrutura em concreto armado, "o material do futuro" como ele dizia, e dirigiu-se para a Europa em 1924 para buscar ajuda do principal engenheiro francês na área, Albert Caquot.

Durante sua estada na europa, Da Silva Costa também conheceu vários escultores em cidades locais. Como por exemplo Antoine Bourdelle, que havia trabalhado com Rodin. Mas foi o escultor Paul Landowski, o escolhido para fazer um protótipo de 4m de altura desenvolvido com base nos desenhos no estilo art déco de Oswald.

Landowski intensificou a estilização do projeto de Oswald, trabalhando particularmente na cabeça e nas mãos, e produziu uma estrutura completa em argila para ser enviado ao Rio, que seria uma referência para as peças reproduzidas em concreto.

Em 1927, sob a inspeção do encarregado de obras, Heitor Levy, uma armação de aço e ferro preliminar havia sido erguida no topo do Corcovado, mas Da Silva Costa considerava que o concreto era muito áspero para os finos contornos da imagem de Cristo. Com medo que seu monumento acabasse em um fracasso, ele encontrou inspiração em uma fonte na Avenida dos Campos Elísios em Paris, onde pedaços de azulejos formavam um mosaico prateado. O mosaico acentuava as curvas da fonte, trazendo o mesmo resultado que ele esperava ver no Cristo. 

O brasileiro então selecionou a pedra sabão, um mineral de cor pálida cuja composição é macia e tem qualidades bastante duradouras, vindo das pedreiras próximas da cidade de Ouro Preto (Minas Gerais). Esse é o mesmo material usado pelo escultor Aleijadinho no século 18 e que mantinha suas obras em perfeitas condições, mesmo após centenas de anos. Aproximadamente 6 milhões de pequenos triângulos da pedra foram colocados ao redor da gigantesca estrutura do Cristo. Os trabalhadores que faziam os azulejos frequentemente escreviam algo na peça, e até hoje o Cristo Redentor está cheio de mensagens escondidas.

Sob a supervisão de Da Silva Costa e Levy, a construção começou em 1926 e durou cinco anos. Durante esse período, materiais e trabalhadores foram transportados para o cume por um pequeno trem. A cerimônia de inauguração foi dia 12 de outubro de 1931. E retrata todo o trabalho de um monumento construído com 30 metros de altura mais 8 metros do pedestal, uma envergadura de braços estendidos de 28 metros e com peso de 1145 toneladas.

Ao longo dos anos, o Cristo Redentor sofreu alguns reparos e reformas periódicas, incluindo uma limpeza minuciosa em 1980, em preparação para a visita do Papa João Paulo II ao Brasil. Escadas rolantes e elevadores panorâmicos foram adicionados em 2002 - anteriormente, para alcançar a estátua, os visitantes subiam mais de 200 degraus na última etapa da viagem. Em 2006, para celebrar o 75º aniversário da estátua, o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Eusébio Oscar Scheid, declarou o marco como um santuário católico oficial e foi inaugurada na base da escultura uma capela de Nossa Senhora de Aparecida, a santa padroeira do Brasil.

Em 2014 passou por uma grande restauração para retomar a imagem original do Cristo Redentor, que é constantemente atingida e danificada por raios. A renovação foi patrocinada pela fabricante italiana de pneus Pirelli, num projeto firmado com a Arquidiocese do Rio de Janeiro e incluiu não somente a preservação do Cristo Redentor, mas também a criação de uma plataforma “Braços Abertos”, um site criado para ressaltar as ações positivas dos cidadãos brasileiros. A Pirelli participa também do projeto de segurança do local e seguirá apoiando a constante manutenção da estátua.

Em 2007, mais de 100 milhões de pessoas votaram nas 7 maravilhas do mundo, dentre uma lista de 21 finalistas. E lá estava o Cristo Redentor, eleito juntamente com a Grande Muralha da China, Machu Picchu e o Coliseu romano. Em 2012 a UNESCO passou a considerar o Cristo Redentor como parte da paisagem do Rio de Janeiro e sendo considerado um Patrimônio da Humanidade.

Na celebração de seus 80 anos em 2011, o Cristo ganhou uma nova iluminação, construída em tecnologia LED, que além de representar as artes das diversas combinações de cores, o coloca a figurar entre grandes monumentos que se manifestam em datas comemorativas do país ou do mundo. Um verdadeiro legado cultural ao país.

O Cristo Redentor é a maior escultura de estilo art déco do mundo e é um dos marcos turísticos mais reconhecidos do Rio de Janeiro. É lembrado até mesmo durante o Carnaval, com o bloco de rua chamado "Suvaco do Cristo", abrindo caminho ao lado do Corcovado em homenagem aos braços abertos da escultura. Multidões de foliões e uma bateria de samba circulam pelas ruas vestindo a imagem do Cristo.

Mas será a estátua hoje vista como um símbolo religioso ou um convite ao abraço? Cada pessoa entende no Cristo Redentor um significado diferente. Não é mais explicitamente religioso. Afinal, hoje o Brasil é uma nação religiosamente diversa. Por isso muitos veem a estátua como um gesto de acolhimento e paz.

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