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Grã-Bretanha: um Grande Prêmio duradouro

Este ano marca a 50ª visita do Campeonato Mundial de Fórmula 1® à Silverstone

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Grã-Bretanha: um Grande Prêmio duradouro

O Grande Prêmio da Inglaterra também foi realizado em Aintree cinco vezes e em Brands Hatch, doze vezes. São 66 corridas no total, ou uma por ano ao longo de cada campeonato mundial realizado até o momento (o de agora é o 67º). É um recorde absoluto, apenas rivalizado pelo Grande Prêmio da Itália, que já aconteceu 65 vezes em Monza, e, em Ímola, uma vez (em 1980). Com um histórico tão rico, são muitos os casos que envolvem a cidade. Portanto, é uma questão de escolhê-los cuidadosamente.

Um deles, sem dúvida alguma, remonta a um sábado, 14 de julho de 1951. A primeira fila do grid de largada em Silverstone refletiu perfeitamente a intensa batalha que acontecia ao longo da temporada: a pole position para José Froilan Gonzalez e sua Ferrari, seguido pelos campeões que reinavam na época, Fangio, com Alfa Romeo, mais rápido do que Farina. Atrás deles outra Ferrari, conduzida por Alberto Ascari. A mesma história se repetiu na corrida: o primeiro carro não italiano era a BRM de Reg Parnell. Quanto ao resto, foi um duelo entre os italianos. Fangio manteve sua Alfa na liderança em 30 das 90 voltas da corrida. Mas, para as demais 59, foi Gonzalez na frente que acabou dando ao Cavalo Empinado da Ferrari sua primeira vitória na F1®. Claramente, foi uma ocasião histórica. Enzo Ferrari, em um de seus momentos mais mencionados, refletiu: "naquele dia, eu senti como se tivesse matado minha mãe”. A alegria óbvia foi contrabalançada pela derrota infligida à Alfa Romeo, equipe onde Enzo atuou no passado como piloto e diretor esportivo.

Assim, foi na Grã-Bretanha que a Ferrari construiu os alicerces da equipe que existe hoje: ela continua sendo a única equipe que competiu em todos os campeonatos mundiais de Fórmula 1® já realizados, com 224 vitórias em grandes prêmios e 30 títulos conquistados (incluindo os campeonatos de pilotos e de construtores). Depois de Gonzalez em 1951, a Ferrari também ganhou em Silverstone pelos dois anos seguintes (com Alberto Ascari), e depois em 1954 com Gonzalez novamente, em 1956 com Fangio, e em 1958 com Peter Collins. Em 1961 foi Wolfgang von Trips que triunfou, desta vez em Aintree. Seguindo-se a isso, houve uma seca de vitórias só saciada por Niki Lauda em Brands Hatch em 1976. E é aqui que vale a pena fazer uma pausa novamente, pois foi um dia épico que marcou um momento crucial na evolução do campeonato de 1976.

Naquele ano, a Ferrari estava preocupada em defender o título conquistado por Niki Lauda na temporada anterior. E havia um pano de fundo vermelho à medida que a temporada de 1976 se desenrolava: Niki Lauda dominava em todos os lugares. Mas a McLaren não estava desistindo. O ás na manga era James Hunt, com um apetite insaciável para a vitória (entre outras coisas) no assento que havia sido recém-desocupado pelo piloto por duas vezes campeão mundial Emerson Fittipaldi. No momento em que o campeonato chegou a Brands Hatch em meados de junho, Lauda parecia intocável. Ele conseguiu a pole position, mas Hunt estava lá em seu encalço, respirando quase em sua nuca. Aconteceu então uma colisão na partida entre os carros da frente, fazendo com que a corrida tivesse uma bandeira vermelha. Hunt, porém, não foi autorizado a tomar parte na sequência, pois havia sido julgado culpado de errar na entrada para os boxes. A reação foi imediata. Os fãs britânicos que lotavam as arquibancadas queriam ver a todo custo seu herói em ação e lutando pelo campeonato. Assim que o grid se formou, sem a McLaren, um brado ensurdecedor de "queremos Hunt" foi ouvido da multidão. Então começou a confusão, com garrafas, latas e lixo sendo arremessados para a pista pelos fãs furiosos. Diante de tal situação sem controle, os organizadores da corrida não tiveram outra escolha a não ser permitir a volta do piloto da McLaren - que então se saiu vitorioso, à frente de Lauda. Essa vitória foi tirada de Hunt e dada à Lauda por uma decisão do órgão internacional em setembro, mas nessa época já havia acontecido o terrível acidente com o austríaco em Nurburgring, que quase tirou-lhe a vida, obrigando-o a ficar de fora de três corridas. Ele retornou às pistas em Monza, só perdendo o título para Hunt em uma dramática rodada final no Japão.

Outro dia inesquecível para um piloto britânico correndo em casa foi 12 de julho de 1987. Uma batalha era travada internamente na Williams entre o piloto por duas vezes campeão mundial Nelson Piquet e o herói da casa Nigel Mansell, que já havia vencido em Silverstone no ano anterior. O que aconteceu na corrida superou qualquer obra de ficção. Depois de estabelecer uma das mais rápidas pole positions da história (256,3 km/h), Piquet partiu na frente e começou a se distanciar dos demais. Mansell lutava para acompanhá-lo de perto, mas teve que fazer um pit stop por causa de um problema que afetava uma roda. Ele saiu dos boxes com uma diferença significativa para seu companheiro de equipe, mas louco para recuperar posições. O inglês tirou vários segundos por volta contra seu rival brasileiro, com o computador de bordo avisando a Mansell que naquela velocidade seu carro iria ficar sem combustível antes do fim da prova. Mas ainda assim Nigel não tirou o pé. Quando ele encostou em Piquet, ficando logo atrás dele, simulou alguns movimentos e, em seguida, posicionou-se lado a lado ao passar pelo circuito de Stowe - a mais de 240 km/h. Apenas algumas centenas de metros era tudo o que Mansell precisava para passar à frente e liderar a prova, mas ao chegar ao final da volta final de número 65, seu carro ficou sem combustível. A Williams-Honda de Mansell ficou imóvel no meio da pista, e foi logo cercada por milhares de fãs em delírio, em uma invasão não programada da pista.

Estas foram cenas memoráveis, mas algumas outras aconteceram ao longo dos anos, embora talvez sem o mesmo nível de emoção. Em 1995, a luta pela vitória foi entre a Williams de Damon Hill e a Benetton de Michael Schumacher - mas ambos abandonaram a prova, deixando o caminho livre para que a outra Benetton de Johnny Herbert fosse vitoriosa em casa. Em 1998, foi Schumacher que selou uma vitória sem precedentes durante um pit stop na última volta. Houve uma série de discussões de alto nível sobre as regras antes que seu controverso primeiro lugar fosse confirmado. Passamos rapidamente então para temporadas mais recentes. Nos últimos três anos, o Grande Prêmio da Inglaterra foi dominado pela Mercedes. Nico Rosberg ganhou em 2013, e Lewis Hamilton foi o ganhador das duas últimas corridas em Silverstone. O que agora nos leva a 25 vitórias no Grande Prémio da Inglaterra por heróis locais.

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