O que leva uma família a encarar milhares de quilômetros de areia, pedra, rios e erosões com um carro esportivo? No caso de Fredy e Susele Piotto Vogt, a resposta veio na prática, e em grande estilo, durante uma expedição pelo Rally dos Sertões.
A bordo de um Porsche 911 Dakar, o casal e o filho, João Pedro, decidiram testar os limites do modelo em um dos cenários mais desafiadores do Brasil. E descobriram que, ali, o inesperado vira rotina.
A relação da família com o Rally dos Sertões já vem de outras edições, sempre na modalidade expedição, que é uma forma de acompanhar o rali enfrentando os mesmos terrenos, mas sem competir diretamente. “Já era a quinta vez que a gente participava. Sempre fomos com dois carros, acampando com barraca de teto. É uma experiência em família mesmo”, conta Susele.
A virada aconteceu após um evento da Porsche na Namíbia. “Quando a gente andou com o Dakar lá, ficou claro: não era um off-road de faz de conta. Era um carro que realmente encara qualquer terreno. Foi ali que decidimos: precisamos levar esse carro para o Sertões”, lembra.
Um carro que chamou atenção e entregou mais do que isso
A escolha parecia improvável, e talvez por isso tenha chamado tanta atenção. “Parou o evento. Aonde o carro chegava, as pessoas iam ver, fotografar. Até pilotos vinham conhecer. Era algo que ninguém esperava encontrar ali”, diz Susele.
A reação se repetia em cada parada, nas vilas e cidades ao longo do percurso. O carro, longe de ficar isolado, era exposto de propósito. “A gente fazia questão de deixar o carro visível. Onde alguém teria a chance de ver um carro desses tão de perto, ainda mais nesse ambiente?”
Mas não foi só a estética que impressionou. O desempenho em condições extremas foi o grande destaque. “A facilidade para passar por qualquer terreno foi o que mais surpreendeu”, afirma Susele.
Fredy reforça essa percepção: “Tem trechos com erosão profunda, pedra grande, areia fofa… e o carro simplesmente vai. Em alguns momentos, parecia mais fácil do que deveria ser.”
A travessia de rios, por exemplo, era um dos pontos de maior apreensão. “Quando vi o primeiro rio, fiquei com medo. Mas foi tão tranquilo que parecia que nem estava acontecendo nada”, relembra Susele.
Além disso, o equilíbrio entre off-road e estrada fez diferença ao longo da jornada. “Você sai de um trecho pesado e, de repente, está rodando no asfalto com um carro extremamente confortável e estável. Isso muda completamente a experiência”, diz Fredy.
Pneus que fizeram a diferença
Se o carro surpreendeu, os pneus foram determinantes para que tudo acontecesse sem imprevistos.
Desenvolvidos em parceria entre Pirelli e Porsche exclusivamente para o modelo, os Pirelli Scorpion All Terrain Plus foram colocados à prova em condições extremas, e responderam à altura. “A gente saiu de casa com o carro, fez todo o rali e voltou rodando. E continuamos usando os mesmos pneus até hoje”, conta Susele.
Ao todo, foram cerca de 7.400 km entre deslocamento e percurso. Em um ambiente conhecido por castigar veículos, o resultado chamou atenção de Fredy. “Não tivemos nenhum problema. Nenhum furo. Zero. E isso, no Sertões, é raro”, diz.
Ele ainda complementa com uma visão mais técnica: “O pneu certo muda tudo. Esse carro foi pensado com esse pneu. Não é um detalhe, é parte do projeto.”
Talvez o ponto mais simbólico seja o contraste: o mesmo carro que enfrentou areia, pedras e rios é usado no dia a dia da família. “É o carro que eu uso para tudo. Levo meu filho para a escola, vou ao mercado… e foi o mesmo carro que fez o Sertões”, conta Susele.
Ao final da jornada, a conclusão veio de forma direta: “Foi inesquecível. A melhor experiência off-road que a gente já teve.”
E os planos continuam. “A gente tentou conseguir um segundo Dakar para ir com dois carros. Ainda estamos procurando. Porque depois dessa experiência, dá vontade de repetir”, revela Fredy.