O diretor de motorsports da Pirelli Paul Hembery listou dez pontos-chaves levantados pela empresa, após os dois primeiros treinos livres realizados hoje no Bahrein, onde os pneus P Zero branco (composto médio) e P Zero amarelo (compostos macio) foram escolhidos.

1.   Mais carga nos pneus faz com que eles escorreguem mais

A Pirelli mudou todos os compostos e os perfis dos pneus slicks para tentar reduzir as derrapagens e compensar a redução de downforce. Paul Hembery: “Os carros estão escorregando mais e isso afeta demasiadamente os pneus. Nessa nova Fórmula 1, há 5% menos carga sobre os pneus do que no ano passado. No entanto, com os esforços laterais causados pelas derrapagens e mesmo durantes as curvas, o esforço sobre eles é maior.”

2.   Menos marbles na pista

Hoje, há muito menos marbles na pista: um dos objetivos-chave da Pirelli no desenvolvimento de seus pneus. Paul Hambery: “Nós até vimos um pouco de marbles na Malásia, mas não podemos considerar um bom exemplo, porque lá a pista é muito abrasiva. De modo geral, estamos confiantes de estamos caminhando muito bem no sentido de reduzir os marbles.”

 

3.   Menos aquaplanagem e mais desempenho dos pneus de chuva

A Pirelli também alterou o composto e o design dos pneus de chuva para buscar melhores resultados em pista molhada. Paul Hambery: “Antes de tudo, nós vimos em Melbourne que havia uma linha muito tênue entre os pneus intermediários e os de chuva, o que tornou os intermediários mais adequados para aquela situação. Depois, na Malásia, não recebemos nenhuma crítica ou comentário sobre aquaplanagem, que foi só o que ouvimos em 2013. O desempenho do novo pneu de chuva é ainda melhor em temperaturas amenas: durantes os testes em pista molhada em Barcelona, o tempo em relação ao modelo de pneu anterior foi 3 segundos mais baixo.”

4.   Redução drástica do esfarelamento

Hoje, a Pirelli tem usado pneus muito diferentes do ultra macio, o que tem reduzido a granulação. E mesmo quando ela ocorre, às vezes, logo para em seguida. Paul Hambery: “Em comparação com os pneus das temporadas passadas, o que vemos hoje após algumas voltas nem dá para chamar de granulação.”

5.   As marcas de derrapagem, arrancada e frenagem desapareceram

Ainda que os carros estejam realizando frenagens mais fortes, os pneus não estão apresentando mais tantos manchões (aquelas marcas profundas que deformam os pneus nas freadas), graças aos novos compostos. Paul Hambery: “Depois de várias sessões de treinos, as marcas não tem aparecido mais. No passado, em situações iguais a essas de hoje, era preciso trocar os pneus.”

6.   Duas paradas por corrida estão se tornando normal

Com muito para aprender ainda sobre os novos carros, foi apenas na Malásia que a verdadeira estratégia de trocas de pneus apareceu. Paul Hembery: “O Hulkenberg terminou a prova com apenas duas paradas, ao contrário do que imaginávamos, que seria com três. Com a rápida evolução dos carros, estamos certos de que vamos nos acostumar a ver a maioria deles fazendo estratégias de duas paradas por corrida.”

7.   Porque a degradação do pneu é importante

Desgaste de pneus é uma coisa normal, faz parte do processo natural dele – e que, neste ano, tem ocorrido de uma maneira bem mais lenta do que nos anteriores, inclusive com menos marbles. Paul Hembery: “É uma situação estranha quando os pilotos falar sobre a degradação dos pneus: ela precisa acontecer, porque, do contrário, não teríamos pit stops. E pit stops são importantes para a estratégia das equipes, faz parte do jogo.”

8.   Pneus menos deformados do que antes

Apesar de hoje haver mais de torque nos pneus traseiros, eles não estão sofrendo tanto quanto no ano passado, graças ao seu novo design. Paul Hembery: “Dá para ver que há um padrão de desgaste ligeiramente concentrado no centro do pneu. Isso está relacionado a um menor downforce atual – e que vai mudar. Depois, os pneus se tornarão ainda melhores, quando as equipes aumentarem o downforce e a tração nos pneus traseiros.”

9.   Intervalos regulares entre os compostos

A Pirelli pretende ter variações de 1 segundo entre cada um dos diferentes compostos. Isso ainda não acontece hoje, mas a expectativa é de que ocorra até o fim do ano. Paul Hembery: “Nós estávamos um pouco surpresos com a diferença entre o pneu duro e o médio, que era de um segundo e meio na Malásia. Mas isso aconteceu em função do menor downforce do início da temporada: o pneu duro não, agora, não tem mais tanto trabalho quanto antes, então ele dura mais. As melhorias no desempenho dos acertos dos carros devem fazer essa diferença cair.”

10. Mais carros na pista

A Pirelli está fornecendo mais pneus para os treinos livres e para o Q3 – que é quando há mais carros simultaneamente na pista. Paul Hembery: “É um trabalho duro, não é mesmo? Na primeira meia hora do primeiro treino livre, as equipes estavam dando 10, 12 voltas com pneus extras, mas elas poderiam dar bem mais. No classificatório, nossa intenção é garantir que os carros favoritos andem bastante no Q3 para os seus fãs, sem que isso signifique uma desvantagem de pneus para os demais times.”