Quando pensamos em um piloto de testes de pneus, é comum imaginar alguém acelerando em alta velocidade em uma pista, fazendo manobras arrojadas e indo até o limite, sempre. Mas a realidade é bem diferente desse senso geral. Para desempenhar essa função, não basta gostar de dirigir rápido: é preciso ter sensibilidade, técnica e muita atenção aos detalhes.
Não existe uma formação acadêmica específica para quem deseja se tornar piloto de testes de pneus. O que mais conta é o dom natural do candidato: a capacidade de perceber detalhes sutis no comportamento do pneu e transformá-los em informações úteis para os engenheiros. Essa sensibilidade é avaliada logo no processo seletivo, que inclui provas práticas para distinguir jogos de pneus de acordo com suas características e elaborar um parecer técnico.
O trabalho de um piloto de testes, principalmente o de pneus, está ligado diretamente ao desenvolvimento de novos produtos e atualização da gama já existente. No caso da Pirelli no Brasil, a praça onde esses pilotos atuam é o Circuito Panamericano, localizada no interior de São Paulo, em Elias Fausto. Lá, esses profissionais percorrem pistas que simulam praticamente todas as condições encontradas nas ruas e estradas do mundo. O objetivo não é quebrar recordes de velocidade, mas perceber cada nuance do comportamento do pneu: ruído, aderência, estabilidade, conforto e até pequenas vibrações.
Além de experiência ao volante, o piloto de testes precisa de concentração e disciplina. Cada volta na pista, frenagem no molhado ou passagem em ondulações, é acompanhada de anotações detalhadas em formato de números e pontos, que servem de base para os engenheiros refinarem o desempenho do pneu. Muitas vezes, as diferenças entre um modelo e outro são mínimas, exigindo um olhar, um ouvido e até músculos altamente treinados, que conseguem perceber as sutilezas.
Outro ponto importante é a variedade de ensaios. Os testes não acontecem apenas em pista seca e asfaltada. O piloto precisa avaliar o pneu em pisos molhados, paralelepípedos, curvas acentuadas e até situações extremas, como freadas bruscas e manobras de desvio rápido, até em estradas de terra. Em todos esses cenários, a função é identificar como o pneu reage e relatar, com precisão, sensações que nem sempre os equipamentos conseguem medir.
Os testes podem ser objetivos e subjetivos. Os objetivos são aqueles onde motos e carros são aparelhados e sensores medem vários parâmetros na hora da avaliação e resultam em dados concretos, como números de metros para uma frenagem, ruído em decibéis produzidos pela banda de rodagem e muitos outros. Já o subjetivo é aquele onde o piloto testa e dá seu feedback, aqui sempre em comparação com um pneu referência, para atestar que o pneu “A” é melhor ou pior que o “B”.
Por isso, o piloto de testes é uma peça-chave na inovação. Ele atua em conjunto com engenheiros, técnicos e especialistas de diferentes áreas, transformando essas percepções em melhorias. O resultado desse trabalho é sentido por milhões de motoristas de carros e motos que, mesmo sem saber, se beneficiam de pneus mais seguros, confortáveis e eficientes.
Ser piloto de testes, portanto, é mais parecido com ser um avaliador sensorial do que um que piloto que corre em competições de motorsport. É colocar os cinco sentidos a serviço da tecnologia e da segurança, garantindo que cada pneu entregue a melhor experiência possível para quem está no controle do veículo.