O verão, estação que temos no Brasil agora, começando em dezembro e indo até fevereiro, costuma trazer não apenas dias de sol intenso, mas também temperaturas que deixam o asfalto extremamente quente, muitas vezes acima dos 60°C. Esse cenário cria condições desafiadoras para os pneus, já que o calor afeta a pressão interna e aumenta o esforço ao qual eles são submetidos.
Em temperaturas elevadas, o ar dentro do pneu se expande e a pressão sobe rapidamente, o que pode alterar o comportamento do conjunto. Por isso, a recomendação é sempre calibrar os pneus com eles frios, preferencialmente no início da manhã ou após o veículo ter ficado parado. Quando o pneu está quente, a leitura da pressão fica mais alta do que realmente deveria, fazendo com que o motorista libere ar sem necessidade, e isso pode colocar o pneu abaixo do nível ideal depois que ele esfria.
As altas temperaturas também chegam acompanhadas das típicas pancadas de chuva do verão, tornando o contraste térmico e as condições de rodagem ainda mais exigentes. Para enfrentar esse cenário, é fundamental que o veículo esteja devidamente revisado, com os pneus em boas condições. Nunca se deve usar pneus quando a banda de rodagem encontra o TWI (Indicador de desgaste da banda de rodagem), afinal, são nessas condições de chuvas fortes que o pneu deve ter uma boa drenagem da água para se ter um ótimo controle do carro. Alinhamento e balanceamento em dia ajudam a manter o carro estável, evitam vibrações e preservam a precisão da condução, enquanto uma inspeção simples nos pneus pode identificar sinais de desgaste, cortes ou objetos presos que, com o calor, podem evoluir mais rapidamente para problemas maiores.
O automobilismo ajuda a ilustrar bem essa realidade: mesmo nos carros de competição, onde cada detalhe é monitorado, as temperaturas mais altas nem sempre são desejadas. Os pneus de corrida trabalham dentro de uma faixa específica de temperatura, e quando esse limite é ultrapassado, o comportamento deles muda imediatamente. Nas ruas, ainda que em outra escala, esse princípio também vale. O calor excessivo exige atenção, cuidado e calibragem precisa para garantir que o pneu trabalhe da maneira esperada.
Para motocicletas, essa atenção é ainda mais importante. Como o contato com o solo é menor, qualquer variação de pressão ou temperatura influencia o comportamento da moto. No calor forte, o pneu aquece mais rápido e uma calibragem incorreta pode alterar a sensação de pilotagem. O ideal é sempre respeitar os valores recomendados, calibrar a frio e fazer inspeções frequentes, especialmente nas laterais, que sofrem mais em curvas sob altas temperaturas.
Em um país tropical como o Brasil, onde o calor é intenso e as chuvas são fortes e imprevisíveis, cuidar dos pneus torna-se uma medida essencial de segurança. Com atenção à calibragem, manutenção básica em dia e um pouco de prevenção, motoristas e motociclistas atravessam a estação mais quente do ano com muito mais tranquilidade, mesmo quando o asfalto parece estar derretendo.