Antes da pausa de meio de temporada, as equipes de Fórmula 1 visitaram o autódromo mais lento do calendário: Hungaroring. Agora os times seguem para um dos mais rápidos: Spa-Francorchamps, localizado ao pé das Ardennes. Para este GP, a Pirelli vai levar os pneus duros P Zero Laranja e os médios P Zero Branco: os dois compostos mais duros da gama.

Eles são perfeitamente adequados para as demandas de alta energia do circuito, com suas curvas rápidas, como a lendária Eau Rouge. Uma das principais características de Spa são as condições climáticas variáveis, o que significa que o pneu  intermediário Cinturato Verde e o de chuva forte Cinturato Azul podem ser utilizados ao longo do fim de semana.

“Spa não é somente um circuito épico, mas também um dos maiores desafios para os nossos pneus durante todo o ano. Isso se deve principalmente pelas altas cargas de energia, tanto na vertical – devido às grandes pressões como a Eau Rouge – e também lateralmente em curvas rápidas, como a Blanchimont. Muitas vezes, os pneus estão sujeitos a forças que atuam em diferentes direções ao mesmo tempo, o que aumenta ainda mais o trabalho. Então, cuidar dos pneus é muito importante, principalmente porque a volta é longa”, explica Paul Hembery, diretor de automobilismo da Pirelli.

“Isso significa que haverá uma grande variedade de estratégias em Spa, bem como tempo de sobra para ser ganho ou perdido, se as táticas certas forem escolhidas. No entanto, qualquer planejamento tem que ser muito flexível, porque é o clima varável que muitas vezes faz com Spa seja uma corrida tão fascinante. As condições climáticas podem mudar rapidamente, o que faz com que a forma como as equipes vão usar os pneus intermediários e de chuva seja a chave do sucesso – como vimos tantas vezes no passado. Há muitas oportunidades de ultrapassagem, e a combinação de desempenho e durabilidade oferecida pelos pneus escolhidos deve maximizar as chances neste fim de semana”, conclui Hembery.

O circuito de um ponto de vista dos pneus

- Spa é um dos circuitos mais tradicionais da Fórmula 1, pois é utilizado desde 1950. Embora a pista tenha sido alterada radicalmente ao longo dos anos (o traçado atual é de 1979), manteve a sua natureza rápida e fluida, com uma velocidade média em torno de 230km/h.

- O circuito tem pouco mais de sete quilômetros de extensão, o que o torna com folga o maior do calendário. Os carros mantém aceleração plena por cerca de 80% da volta, às vezes por mais de 20 segundos. As variáveis na volta significam que largar na pole não é tão importante como em outros circuitos.

- Em altas velocidades, cambagens agressivas podem causar bolhas a medida que o calor se acumula em volta das extremidades dos pneus. No entanto, se espera que as equipes respeitem o ângulo de cambagem recomendado pela Pirelli, o que deve ajudar a prevenir este fenômeno.

Notas técnicas de pneus:

- A grande pressão na Eau Rouge submete os pneus dianteiros à maior carga vertical da temporada: 1000 kg.

- Os dois primeiros no ano passado (Button e Vettel) usaram uma estratégia de uma parada, enquanto o terceiro colocado (Raikkonen) parou duas vezes. Houve também grande variação nos pneus selecionados para a largada: enquanto a maioria dos pilotos começou com o pneu médio, Hulkenberg começou com o duro e terminou em quarto lugar, com uma estratégia de duas paradas.

- É provável que a diferença de desempenho entre o pneu duro e o médio seja mais de um segundo por volta.

Conheça o Pirelli F1 Team: Jaime Alguersuari e Lucas di Grassi, pilotos de testes da F1:

Este ano, mais uma vez, a Pirelli pôde contar com dois pilotos de teste de alto calibre: Jaime Alguersuari e Lucas di Grassi, da Espanha e do Brasil, respectivamente. Jaime fez os dois primeiros testes desta temporada, enquanto Lucas está programado para assumir ainda este ano.

Seu trabalho consiste em avaliar os últimos compostos experimentais da Pirelli durante os testes privados, dirigindo um Renault 2010, que foi modificado para replicar o regulamento mais recente. Depois de pilotar com os pneus protótipos, eles dão o feedback aos engenheiros da Pirelli, sobre as características de cada composto e como os pneus poderiam ser melhorados para o futuro. A utilização de dois condutores de teste garante que os engenheiros obtenham duas perspectivas e opiniões diferentes: essenciais quando os pneus serão desenvolvidos para um grid de 22 pilotos.

Jaime se tornou o mais jovem piloto a iniciar uma corrida de Fórmula 1 quando fez sua estreia em 2009. Ele correu mais duas temporadas completas com a Toro Rosso antes de se tornar um piloto de testes da Pirelli. Seu melhor resultado o sétimo lugar, na Itália e na Coréia em 2011. Ele também é um DJ talentoso, está no topo das paradas na Espanha.

Lucas pilotou para a equipe de Fórmula 1 Virgin durante sua temporada de estreia em 2010, levando o carro a 14º na Malásia. Ingressou na Pirelli em 2011 e também é piloto de fábrica da Audi em corridas de endurance. Subiu ao pódio na edição deste ano das 24 Horas de Le Mans.

Outras notícias da Pirelli:

- A Pirelli anunciou recentemente seu retorno ao WRC (Campeonato Mundial de Rali) no próximo ano, após passagem como único fornecedor de pneus entre 2008 e 2010. Desta vez, três outros fornecedores de pneus também foram nomeados para suprir o WRC.

- A última vez que a Pirelli esteve em Spa foi nas 24 Horas de Spa, no mês passado. Esta foi uma das maiores operações de logística da história da Pirelli, com 8.552 pneus disponíveis no local, transportados por um comboio de 19 caminhões. O serviço de montagem entregou um pneu a cada 26 segundos em média (ao longo de um período de 22 horas).

- O piloto da Lotus Kimi Raikkonen testou um carro de GP3 com pneus Pirelli na semana passada. O finlandês experimentou o carro em Barcelona durante um teste oficial de desenvolvimento. “O GP3/13 é uma ferramenta muito boa para os jovens pilotos, especialmente quando você tem que aprender sobre a gestão dos pneus, como temos na F1″, disse ele.